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"Preciso te ver, te contar o que fiz… enfim, preciso te ter."
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295
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"É triste porque a gente se esquece, porque a marca vira sinal e as dimensões vão diminuindo. É triste porque a gente vai se diminuindo um no outro e ninguém gosta disso, de ser menos do que era. Triste porque deixar para lá, certas vezes, também é triste. Mas já não é triste como seria antigamente. A gente descobre que precisa mesmo deixar muita coisa “para lá”. E vai deixando, até que deixar de ser triste porque, mais cedo ou mais tarde, deixa também de doer. É preciso parar de doer."
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85
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"Cansei de ser gente. Dá muito trabalho marcar presença. Juntar passado, presente e futuro e misturar limão e açúcar. Seria mais fácil se a gente dissesse o que quer, como, de que jeito. Mas não. Gente nunca faz isso. Gente como eu espera que o outro saiba-descubra-perceba. Gente como você quer se sentir especial. Por que a gente quer a todo instante saber que é importante? Cansei de ser gente. Sinto que os dias passam, a pele envelhece, o coração acumula aprendizado, os pés ficam exaustos no final do dia, a vida não para de caminhar para aquele lado. No meio disso, eu. Me perdendo, achando, sobrevivendo. Porque em alguns dias a gente só sobrevive. E eu cansei de ser gente."
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"Me liga qualquer hora dessas. Sei lá, quando der vontade. Ou quando der tédio, falta do que fazer. Só me liga. O meu número é aquele esquecido da tua agenda telefônica, aquele que tu sabia de cor e salteado, de trás pra frente e codificado até o mês passado, mas resolveu esquecer. Me liga e a gente bate um papo, troca umas indiretas, finge que é só amizade e que ninguém aqui é de ninguém. A gente abre umas feridas e nem liga pra dor de tanta vontade de conversar. Mata a saudade que não dá pra admitir que tá ali; assassinato qualificado, discreto, prazeroso, coisa de psicopata (ou psico-amante). Pode fingir que tá nem aí pro meu carinho que perdeu, que não tem mais vontade de ser minha, que não faz mais diferença. Ou que nunca fez. Me conta do cara com quem tá saindo, me diz como ele é. Ele deve ser um cara legal. Legal metido a perfeitinho. E deve trabalhar com advogados, ou ser piloto de avião, qualquer coisa assim. Uma vez tu me disse que tinha tesão por pilotos de avião, lembra? Tomara que ele seja…interessante. Acho que te vi na rua de mãos dadas com esse cara uns dias atrás. Alto, branco, cabelo quase azul de tão preto, nariz arrebitado e sorriso na cara o tempo todo. O tipo de cara que tu taxaria como “simpático”. Ele deve gostar de crianças, né? Tem cara de quem gosta. Ah, eu tenho um amor novo também…Tem o mesmo nome que você, a mesma cor de cabelo, os olhos são quase idênticos— lindos castanhos-claros. Até os cílios. E ela curte as mesmas bandas que eu, os mesmos lugares, as mesmas pessoas. Ela curte o mesmo tipo de sexo que eu, o mesmo tipo de carinho e até as mesmas comidas. A gente curte os mesmos tipos de festa; aquelas festas que tu nunca quis ir. E a gente perdia toda a diversão, trocava a agitação por um filme chato daqueles que tu gostava. E ficávamos resmungando sobre como um não aceitava os gostos do outro. Mas eu e ela, sei lá… A gente não discute, a gente não briga, a gente combina. A gente é quase igual. Somos um só, e isso não tá dando certo. É como amar a mim mesmo— E de amor próprio eu já tô cheio. Tô querendo um outro alguém pra amar."
A gente não tem mais a gente, mas a gente tem outros amores que não são pra amar. -Ana Luísa K. (via a-n-jo)
(Source: s-truck, via nuvem-agridoce)
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"Você é o inverso das minhas vontades. Se eu fico, você vai. Se eu abraço, você foge. Se eu amo, você ignora… Nada mais triste que essa solidão."